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O presidente executivo da Semove, Armando Guerra, mediou o painel “Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do BNDES”, apresentado durante o Seminário Nacional NTU 2025, dia 12 de agosto, em Brasília. Guerra abriu o debate destacando que a perda média de 40% na demanda nacional de passageiros no transporte por ônibus, que chega a 60% em alguns casos, se deve a fatores como: motorização crescente, impacto da pandemia, concorrência de aplicativos de transporte e ausência de investimentos consistentes em infraestrutura. Ele também ressaltou o aumento dos congestionamentos e dos impactos ambientais, bem como o custo por passageiro, apontando para a necessidade de subsídios. “Sem um diagnóstico confiável, não há como priorizar investimentos nem estabelecer um plano de longo prazo que incorpore benefícios sociais à análise econômica”, afirmou.
O levantamento realizado pelo BNDES, em parceria com diversas empresas, foi apresentado pelo representante da área de Soluções para Cidades do Departamento de Mobilidade Urbana do BNDES, Cleverson Aroeira. Foram mapeados mais de 400 planos de investimento já existentes, cruzando informações de matrizes origem-destino, bilhetagem, telefonia celular e simulações de demanda para 30 anos. Isso resultou em 194 projetos prioritários, incluindo BRTs, metrôs e VLTs, que somam 2.400 km de novos corredores e representariam um crescimento de 120% da rede atual.
De acordo com o estudo, serão necessários mais de R$ 500 bilhões em investimentos até 2055 para ampliar o transporte público coletivo de média e alta capacidade no Brasil, atingindo 21 regiões metropolitanas com população total acima de 1 milhão de habitantes. A proposta prevê 2.400 km de novos eixos estruturais, cobertura de 40% da população é prioridade para áreas de menor renda. Segundo Aroeira, a etapa seguinte ao diagnóstico é selecionar de 30 a 40 projetos para início de execução em 2026. As projeções indicam que, apenas com a implantação da nova rede, o número de passageiros aumentaria em média 100%. Se forem adotadas medidas como tarifa única, integração modal, redução de custos operacionais e desincentivo ao transporte individual, a expansão pode chegar a 136%. No Rio de Janeiro subiria de 4,6 para 5,9 milhões/dia.
Para Wagner Colombini Martins, CEO da Logit Engenharia Consultiva, a governança e a transparência serão determinantes para acessar recursos e atrair investidores. Ele destacou que a base de dados do estudo será disponibilizada em plataforma georreferenciada, acessível a governos, universidades e sociedade, e que o uso de inteligência artificial pode ampliar a eficiência operacional. Fábio Damasceno, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Transporte e Mobilidade, alertou para a necessidade de preservar e aprimorar contratos já vigentes.
Ao final, os debatedores concordaram que o “Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do BNDES” não é apenas um retrato do presente, mas um roteiro para as próximas décadas. Sua execução dependerá de articulação política, segurança jurídica, integração regional e de um compromisso federativo para colocar o transporte coletivo como prioridade central no planejamento das cidades brasileiras.
Fotos: Divulgação/NTU
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