Rio de Janeiro debate emissão zero e eletrificação do transporte público no Fórum de Transição Energética

04/02/2026 4 min leitura

“Estamos em um momento crucial onde a palavra de ordem é “sustentabilidade”, mas precisamos ter o pragmatismo necessário para entender que, no transporte público, a sustentabilidade não sai do papel sem eficiência operacional e viabilidade econômica”. A frase é do presidente executivo da Semove, Armando Guerra, durante a solenidade de abertura do Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro, promovido nos dias 3 e 4 de fevereiro, no Espaço Costa Hall, da Aeronáutica. O evento, que teve como foco o debate sobre emissão zero a partir da eletrificação dos ônibus fluminenses, foi uma iniciativa do Detro-RJ (Departamento de Transportes Rodoviários) e contou com o patrocínio da Semove e da Mais.Mobi; a realização ficou a cargo da Fundação Rede Criativa.

Segundo Guerra, “o debate sobre a descarbonização tem sido reduzido à simples troca do motor a diesel pelo motor elétrico. No entanto, estamos aqui para ampliar essa visão. A transição energética deve ser o meio, e não o único fim. O nosso verdadeiro objetivo é um sistema de mobilidade urbana que funcione”. O executivo ressaltou ainda a importância da infraestrutura viária, com faixas e corredores exclusivos, para que o ônibus possa evitar congestionamentos e oferecer mais rapidez nos trajetos, conseguindo assim atrair os passageiros que hoje optam pelo transporte individual, na maioria a gasolina. “Um ônibus a diesel moderno, rodando em corredor exclusivo e com alta frequência, retira dezenas de carros das ruas, gerando um ganho ambiental imediato muito superior a um ônibus elétrico preso no trânsito”, disse. A requalificação do sistema de transporte público foi outro aspecto defendido por Guerra, que defendeu, além da melhoria do tempo de viagem, o reforço da oferta para atender à demanda real e políticas tarifárias justas, cuja modicidade garanta o acesso universal ao transporte.

Evento reuniu autoridades e especialistas

A abertura do evento contou também com a participação dos secretários de estado de Governo e de Transporte e Mobilidade Urbana, respectivamente, André Moura, que representou o governador Cláudio Castro, e Priscila Sakalem. Também estavam presentes: o superintendente de Óleo e Gás da Secretaria de Energia e Economia do Mar, Hugo Aguiar, que representou o secretário Cássio Coelho; presidente do Detro-RJ, Raphael Salgado; José Carlos Rocha, presidente da Fundação Rede Criativa; o superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), Luiz Carlos Néspoli; a secretária Municipal de Transportes na do Rio de Janeiro, Maína Celidonio; e o diretor executivo da ABiogás, Tiago Santovito.

Raphael Salgado destacou o momento estratégico do evento, às vésperas da licitação de todo o sistema de transporte rodoviário intermunicipal da Região Metropolitana do Rio. “Este fórum não é apenas um protocolo, mas um espaço essencial de reflexão para fortalecer as decisões que redefinirão os padrões do transporte para os próximos anos”, afirmou. Salgado também ressaltou o papel do Detro-RJ não apenas como órgão regulador e fiscalizador, mas como um indutor de políticas públicas que impactam diariamente milhões de passageiros. “Através do diálogo entre autoridades, técnicos e o setor produtivo, o fórum busca consolidar soluções que garantam um sistema funcional, sustentável e, acima de tudo, pautado pelo interesse público e pela confiança do usuário”.

Mudança deve ser coordenada pelo setor público

Para Maína Celidonio, a complexidade da eletrificação do transporte por ônibus no processo de mudança energética exige coordenação do setor público, tendo em vista a dificuldade não somente com a compra de veículos elétricos, mas principalmente com a instalação de pontos de carregamento. Priscila Sakalem concorda sobre a necessidade de coordenação por parte do Poder Público e reforçou o fato de a mobilidade ser um tema transversal que envolve o futuro da humanidade. “Quando a gente fala de mobilidade sustentável, inteligente, a gente está falando de bom, bonito, barato e ecológico… Mobilidade, além de tudo, também fomenta a economia e gera desenvolvimento”, disse. A secretária estadual também enfatizou a importância de considerar as especificidades do Rio de Janeiro, lembrando que o debate sobre a transição energética no Estado não pode ignorar o gás natural, dada a vasta frota de veículos movidos a GNV na região. Ela pontuou que o fórum está alinhado a instrumentos estratégicos como o Plano de Mobilidade Urbana (PDMU) e o Plano de Desenvolvimento Econômico do Estado (PEDES).

O Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro contou com a participação do gerente de Planejamento e Controle da Semove, Guilherme Wilson, como debatedor do painel “Alternativas de fontes de energia limpa para descarbonização das frotas do transporte público coletivo”, da gerente de Marketing e Produto da Mais.Mobi, Melissa Sartori, no painel “Os aspectos da licitação do transporte público metropolitano do Estado do Rio de Janeiro e o sistema de bilhetagem: biometria, eficiência, segurança e sustentabilidade”, e da diretora de Mobilidade Urbana da Semove, Richele Cabral, na apresentação sobre “Soluções para requalificação do serviço de transporte público coletivo”.