Fórum de transição energética: diretora da Semove fala sobre os desafios na atração de passageiros para os ônibus

06/02/2026 2 min leitura

No dia 4 de fevereiro, a diretora de Mobilidade Urbana da Semove, Richele Cabral, participou do Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro, realizado no Espaço Costa Hall. A diretora mediou o painel “Apresentação: Soluções para requalificação do serviço de transporte público coletivo”, que contou com a participação de Glaydston Ribeiro, professor do PET/Coppe/UFRJ e diretor executivo da Fundação Coppetec, e Livia Pereira, sócia-diretora da Sinergia Estudos e Projetos.

No painel, Richele falou sobre como o transporte público faz bem para as cidades, ocupando 20 vezes menos o espaço dos automóveis. Porém, nos últimos 10 anos a frota dos ônibus do Estado do Rio de Janeiro e o número de passageiros diminuíram consideravelmente. Pesquisa recente da Coppe, sobre mudança de padrão do uso dos ônibus, concluiu que 63% das pessoas escolhem outro modal devido a quatro fatores: tempo de viagem, tempo de espera no ponto, falta de segurança pública e falta de conforto físico. Dados de mobilidade mostram ainda que serviços por aplicativo aumentaram 1000%, com as motocicletas crescendo 120%.

A diretora citou relatório da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) que sugere que a recuperação da demanda de passageiros requer um conjunto de ações, como reforço de oferta, política tarifária, regulação, planejamento com redesenho de linhas, tecnologia e comunicação com o passageiro e infraestrutura com priorização. “Goiânia segue como exemplo de recuperação de passageiros. O estado de Goiás e as cidades da Região Metropolitana investiram no setor com subsídio de complemento tarifário, gestão do trânsito e priorização de vias; como consequência, recuperou os passageiros perdidos pós-pandemia”, explicou Richele.

Por fim, a diretora falou do aplicativo desenvolvido pela Semove, o Vá de Ônibus, que informa os passageiros sobre horário e trajeto dos ônibus municipais de grande parte das cidades fluminenses e intermunicipais e reforçou que transporte público sustentável é aquele que tem passageiro. “Não adianta investir em veículos com emissão zero se os ônibus permanecem presos no trânsito, o passageiro continuará usando o transporte individual”, afirmou a diretora.

Após a apresentação, Glaydston Ribeiro e Livia Pereira participaram de um debate sobre o tema, ressaltando a importância das pesquisas para entender os usuários e das parcerias público-privadas para promover a melhoria dos espaços urbanos. Os convidados falaram ainda sobre os perigos do deslocamento por moto, via aplicativo, que aumentaram consideravelmente a ocupação de hospitais por motociclistas e passageiros. Eles também destacaram a necessidade da priorização das vias para a ampliação da qualidade dos serviços.