Semove alerta para limites da mistura de biodiesel em seminário da Abiove, em São Paulo

27/04/2026 2 min leitura

O gerente de Planejamento e Controle da Semove, Guilherme Wilson, defendeu a necessidade de estabelecer um limite para a mistura de biodiesel no diesel comercializado no Brasil. A declaração ocorreu durante o Seminário Biocombustíveis, promovido pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), no dia 23 de abril, no auditório da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

Durante sua participação no painel “Biodiesel e misturas: qualidade e boas práticas na armazenagem e distribuição”, Wilson lembrou que o setor de transporte por ônibus do estado do Rio de Janeiro foi pioneiro no uso do biocombustível, iniciando em 2007. “Começamos a usar o biodiesel B5. Até o B10 a mistura não nos trouxe grandes problemas, não nos trouxe grandes dificuldades. Mas do B10 em diante as empresas passaram a ter problemas muito significativos”, afirmou o gerente.

Impactos técnicos e financeiros

Wilson ressaltou que o aumento crescente da mistura vem apresentando impactos técnicos e financeiros, especialmente porque boa parte das frotas fluminenses já estão equipadas com tecnologia Euro 5 e Euro 6. Entre os principais problemas citados pelas operadoras estão: o aumento dos custos com filtros, perda de potência dos veículos e a necessidade de investimentos constantes em infraestrutura de tancagem e filtragem nas garagens. O gerente informou que a Semove, inclusive, criou o Programa da Qualidade do Diesel, em 2024, para orientar as empresas sobre como receber esse combustível nas garagens, como usar e manusear o diesel e sobre a adequação das infraestruturas internas.

Segundo Wilson, a expectativa do setor é que novos acréscimos de biocombustíveis no Brasil pudessem vir do diesel verde, que substitui o diesel fóssil sem a necessidade de adequações. Ele falou ainda sobre a lei do combustível do futuro, que prevê uma série de outros combustíveis, incluindo o diesel verde, mas reclamou que não há cronograma para isso.

O painel contou com a moderação do CEO da Actioil do Brasil, Gilles Laurent Grimberg, e dos palestrantes: Vicente Pimenta, consultor técnico da Abiove; Samuel Carvalho, diretor de Regulamentação do Sindicato Nacional das Empresas de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom); Danielle Bernardes, gerente Executiva Governamental da Confederação Nacional do Transporte (CNT); e Edneia Caliman, coordenadora de Qualidade de Combustíveis da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Outros temas em debate

Além da qualidade, armazenagem, distribuição e elevação da mistura do biodiesel, o seminário abordou também outras questões ligadas aos biocombustíveis como: matérias-primas, demandas e ofertas, políticas públicas nacionais e internacionais, e desafios regulatórios. Na abertura do evento, o consultor técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Rafael Barros Araujo, falou sobre “Cenário de oferta e demanda – diesel A, biodiesel e outros biocombustíveis”.

O evento contou com a participação de representantes do Ministério das Minas e Energia, do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas, das Frentes Parlamentares da Agropecuária e do Biodiesel, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, entre outros.