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A diretora de Mobilidade Urbana da Semove e vice-presidente da UITP, Richele Cabral, participou do webinar EBus na América Latina 2026, promovido dia 8 de abril pela União Internacional de Transportes Públicos (UITP) e pela CWBUS, entidade que integra o ecossistema de inovação de Curitiba na área de mobilidade urbana. O evento virtual reuniu autoridades, operadores e especialistas para debater os avanços e as perspectivas da eletrificação dos sistemas de ônibus urbanos na região. A presidenta da Divisão de Ônibus da UITP América Latina e gerente-geral do Transmilenio, de Bogotá, María Fernanda Ortiz, o presidente do Conselho da CWBUS, Mauricio Gulin, e o presidente da URBS, Ogeny Pedro Maia Neto, fizeram a abertura do encontro virtual.
Ao apresentar, como moderadora, o painel “O que esperar do futuro? – visão do operador”, Richele afirmou: “é um grande prazer dar início a este painel sobre a implementação de ônibus elétricos na América Latina, uma região que, apesar de suas diferenças, tem mostrado avanços muito relevantes na transição para uma mobilidade mais limpa e sustentável”. O painel contou com apresentações de Nicolás Rosales, presidente da Associação Mexicana de Transporte e Mobilidade (AMTM), Álvaro Santiago, subgerente da CUTCSA Uruguai, e Eliana Lasso, diretora de Planejamento e Serviço da MiBus, no Panamá. “Essas três realidades nos permitem explorar não apenas “o que fazer”, mas também “como fazer”, considerando governança, financiamento, operação e integração com políticas públicas”, ressaltou Richele.
Nicolás Rosales destacou a estratégia de eletromobilidade no sistema Metrobús, da Cidade de México, que conta atualmente com 165 veículos elétricos e uma frota total de 860 ônibus, distribuídos em sete linhas, com 26 articulados elétricos em três delas. O planejamento de expansão prevê a introdução de biarticulados, já em testes, em uma das linhas, bem como uma meta de renovação de mais da metade da frota total da cidade até 2030 (470 unidades). Segundo Rosales, a transição exige a superação do modelo tradicional de gestão para estruturas empresariais profissionalizadas, permitindo a separação entre a propriedade do ativo e a operação através de novos tipos de financiamento, como o leasing. O processo é sustentado por reformas regulatórias que incluem contratos de longo prazo e políticas de descarbonização com metas vinculativas.
Álvaro Santiago falou sobre o sistema de transporte público da Região Metropolitana de Montevidéu, que atende uma população de 1,9 milhão de habitantes, com uma frota total de 2 mil ônibus, transportando diariamente 1,2 milhão de passageiros. A operadora CUTCSA, de acordo com seu subgerente, conta com 1.154 ônibus e 120 linhas, que transportam 170 milhões de passageiros por ano. A empresa lidera a eletrificação na região, com 281 dos 316 veículos elétricos do sistema. Isso representa 89% do total de ônibus elétricos. A transição é financiada pelo Fideicomiso para Mobilidade Sustentável (FIMS), que subsidia a aquisição dos veículos substituindo o antigo subsídio ao consumo de combustível. Operacionalmente, a frota elétrica tem disponibilidade de 98% e percorre entre 220 km e 300 km por dia, com um consumo médio de 0,9 kWh/km. A empresa estabeleceu o compromisso público de promover a eletrificação de 100% da sua frota até 2040, com metas periódicas: de 25% já em 2025 e 50% em 2030.
Eliana Lasso, por sua vez, explicou que a capital panamenha está em fase inicial do processo de eletrificação, com testes experimentais em cinco ônibus. A palestrante esclareceu os principais critérios utilizados no planejamento desse novo modelo e falou sobre a perspectiva para a transição para um sistema de transporte público operado por ônibus elétricos, destacando a importância das etapas futuras, que envolvem infraestrutura, pontos de carga, entre outros aspectos.
Além da visão dos operadores sobre o futuro, o webinar também debateu a visão da indústria, reunindo representantes de empresas como Volvo, Grupo Hexing/Livoltek e BYD para discutir inovações tecnológicas e fornecimento. Outros temas em pauta foram a implantação de ônibus elétricos em Curitiba e as experiências em Bogotá (Colômbia), Santiago (Chile) e Cidade da Guatemala.
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