Eunice Horácio participa de seminário sobre os impactos e desafios do uso de motos na mobilidade urbana

17/04/2026 3 min leitura

A gerente de Mobilidade Urbana da Semove, Eunice Horácio, apresentou um diagnóstico da crise estrutural do transporte público por ônibus na Região Metropolitana do Rio de Janeiro durante o seminário “Motocicletas e Mobilidade Urbana: Impactos e Desafios”, realizado na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), dia 16 de abril. O evento reuniu especialistas para debater o crescimento do uso de motocicletas e seus reflexos na economia, saúde pública e segurança viária.

Na abertura do encontro, o presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte (CELT), Eduardo Rebuzzi, destacou a necessidade de debater o tema que afeta a segurança e a mobilidade da cidade. Ele falou sobre o agravamento da insegurança, a dificuldade em manter a ordem pública e a importância de leis que promovam uma mudança cultural, como ocorreu com a Lei Seca. “O crescimento da circulação de motocicletas é uma realidade que impõe desafios urgentes. É um problema social grave que serve de base para muitas das irregularidades e desafios às autoridades. Precisamos integrar segurança, saúde e economia para criar um ambiente urbano seguro para todos”, destacou Eduardo Rebuzzi.

Ainda na mesa de abertura, a professora da Coppe, Marina Baltar, apresentou um estudo que revelou que o trabalho é a principal motivação para o uso da moto (60,21%) e que apesar da maioria dos usuários sentir insegurança (57,21%) em utilizar esse modo de transporte, a rapidez é o fator que os leva a esta escolha. Entre as recomendações do estudo estão: a melhoria do transporte público com criação de corredores exclusivos e faixas preferenciais para ônibus, reduzindo o tempo de viagem e aumentando a previsibilidade dos deslocamentos. ampliação de cobertura e horários de operação dos serviços de transporte público e implantação de campanhas de valorização da vida no trânsito, assim como ampliar a fiscalização de comportamentos de risco.

Mobilidade e legislação federal

Eunice Horário falou durante o painel “Mobilidade e Legislação Federal”, que revelou os dados que indicam uma redução em torno de 50%, tanto na frota, como no número de viagens, de quilômetros rodados e de passageiros pagantes, entre 2014 e 2025. Paralelamente, trouxe números da pesquisa da CNT sobre a mobilidade da população urbana brasileira em que se registrou um aumento de 1.000% no uso de serviços por aplicativos e de 120% no uso de motocicletas em nível nacional. Segundo a gerente, cerca de 30% dos usuários deixaram de utilizar totalmente o modo ônibus, sendo 72%

migrando para o modo de transporte individual motorizado.

Segundo Eunice, entre atributos que levaram as pessoas a optarem por outros modos de transporte, em especial carros e motos, estão: tempo de viagem, flexibilidade na operação e conforto físico. Já os três itens mais citados pelos usuários para que a demanda migrada seja atraída de volta para o transporte por ônibus foram: menor tarifa, maior conforto e mais rapidez nas viagens. Mas, somente essas medidas não bastam. A executiva defende que também é fundamental investimentos em infraestrutura, no reforço da oferta, em tecnologia e comunicação, em política tarifária e no planejamento e regulação do setor. Ainda de acordo com Eunice, há necessidade urgente de se investir na redução do tempo de viagem e no custo do transporte público para que as pessoas deixem de realizar seus deslocamentos de motocicletas.

O deputado federal Hugo Leal também participou do painel “Mobilidade e Legislação Fderal”, abordando a crise da segurança viária no Brasil, com foco na vulnerabilidade dos motociclistas, e defendeu a necessidade de atualizações na legislação para acompanhar o novo cenário das vias brasileiras. Segundo ele, o número de mortes no trânsito aumentou de 2022 para 2023, e para atingir a meta de 2030, é necessária uma redução de 53%. Ele ainda mostrou que a frota de motocicletas apresentou o maior crescimento entre 2011 e 2023, impulsionada pela mobilidade urbana e trabalho.

Segurança, saúde e custos econômicos

O segundo painel, sobre “Segurança Pública” contou com palestra do capitão Tiego, que detalhou os resultados operacionais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), e do delegado Gilbert Uzeda, que revelou que os congestionamentos são situações propícias para atuação criminosa de motociclistas, devido à facilidade de aproximação das vítimas e dificuldade de perseguição policial.

O painel Saúde Pública e Custos Econômicos encerrou os debates. A moderadora Lívia Pereira, da Sinergia Estudos, destacou que os acidentes envolvendo motos impactam o sistema de saúde, os processos de reabilitação, além de gerar custos para o Estado, empresas e famílias. O ex-Diretor-Geral do INTO, Marcos Musafir, falou sobre os riscos associados ao trânsito, especialmente para motociclistas, e mostrou dados sobre acidentes, internações e fatalidades no Brasil como o fato de que motociclistas são identificados como as maiores vítimas, com 30% dos óbitos e 64% das internações.