Evento em Goiânia defende criação do Sistema de Informações em Mobilidade Urbana. Projeto piloto é realizado em 14 cidades

28/07/2025 3 min leitura

Durante evento realizado nesta segunda-feira (28 de julho), em Goiânia (GO), a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), juntamente com o Ministério das Cidades e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), defendeu a construção de uma base de dados nacional para a mobilidade urbana, semelhante ao INEP na educação e ao Datasus na saúde. O Sistema de Informações em Mobilidade Urbana (SIMU) teria como objetivo unificar e automatizar a coleta de dados do transporte público no País, com informações confiáveis e fundamentais, que possam contribuir para a criação de políticas públicas e para a gestão da mobilidade nas cidades.

Segundo o secretário-executivo da FNP, Gilberto Perre, há uma dificuldade no Brasil hoje para saber o número de municípios com serviço de mobilidade urbana, de ônibus que circulam nas ruas e avenidas, da idade média da frota, de passageiros transportados em cada cidade, estado e no País. Perre destaca a necessidade de um marco regulatório que torne o fornecimento de dados obrigatório, assim como ocorre na saúde e na educação. Ele defende a escolha do IBGE para abrigar esse banco de dados. “Precisa ser um órgão de Estado”, disse. Presente ao evento, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, confirmou que o instituto tem como missão ser guardião de dados de Estado.

Um projeto piloto do SIMU está em andamento em 14 municípios brasileiros (Goiânia, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Florianópolis, Belém, Manaus, João Pessoa, Campinas, Contagem, Uberlândia e Campina Grande), que representam cerca de 2% da frota de todo o País. A coleta das informações se dá a partir da integração de tecnologias já utilizadas, como o GPS (Global Positioning System ou Sistema de Posicionamento Global), AVL (Automatic Vehicle Location ou Localização Automática de Veículos), GTFS (General Transit Feed Specification ou Especificação Geral de Feed de Trânsito) e bilhetagem eletrônica.

De acordo com o gerente de Mobilidade Urbana da FNP, João Lucas, apenas duas dessas 14 cidades conseguem fornecer dados em interface aberta (online), enquanto as demais dependem de arquivos cedidos, o que dificulta a automatização de um banco de dados nacional. Ele destacou a dificuldade em obter dados de demanda e ressaltou que é fundamental a criação de um protocolo padrão de dados e a obrigatoriedade do município em partilhá-los de forma online, via API (Application Programming Interface). O gerente afirmou que os dados preliminares do projeto piloto revelaram que 66% da frota operante utilizam veículos Euro 3 e 5 e em treze dos municípios participantes do projeto as emissões de CO2 chegam a 2.800 toneladas.

Os resultados consolidados do piloto serão apresentados no final de outubro, no Rio de Janeiro, em reunião da FNP. A expectativa é que, na COP (Conferência das Partes), que será realizada em novembro, em Belém (PA), o governo federal anuncie a expansão desse projeto piloto para mais cidades, com o apoio estratégico do IBGE e com a proposta de promover mais eficiência, transparência e sustentabilidade na formulação de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana.

O evento “Mobilidade em Foco: Aprimoramento do Sistema Nacional de Informações em Mobilidade Urbana (SIMU)” teve como anfitrião o presidente da Comissão de Mobilidade Urbana da FNP, Sandro Mabel, prefeito de Goiânia, e contou também com a presença do presidente do Conselho Diretor da NTU, Edmundo Pinheiro, do diretor de Gestão da entidade, Marcos Bicalho, e de representantes do Ministério das Cidades. Além do debate sobre o SIMU, o evento discutiu o papel da motocicleta na segurança viária no Brasil, tratou sobre boas práticas e o programa Nova Mobilidade, de Goiânia, e sobre o Marco Legal do Transporte Coletivo. Na parte da tarde, os participantes fizeram uma visita técnica pela nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) de Goiânia, a bordo de um ônibus elétrico.