Gerente da Semove fala sobre mobilidade urbana sustentável e ambientalmente adequada em evento do Inea

01/10/2025 3 min leitura

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em parceria com a Semove e a JCTM/Acoem Brasil, realizou, dia 29 de setembro, em sua sede, no Centro do Rio de Janeiro, o workshop “Monitoramento da Qualidade do Ar e Seus Reflexos na Promoção da Saúde Urbana”. O evento, destinado a profissionais e técnicos das áreas de meio ambiente, saúde, mobilidade e planejamento urbano, celebrou o Dia Mundial sem Carro (22 de setembro) e contou com debates sobre cidades mais saudáveis e sustentáveis.

A gerente de Mobilidade Urbana da Semove e professora do Cefet/RJ, Eunice Horácio, foi uma das palestrantes do painel “Mobilidade Urbana Sustentável e Ambientalmente Adequada”. Horácio falou sobre a queda no número de passageiros que chegou a quase 54% nos últimos 10 anos, passando de 160 milhões em 2014 para 86 milhões no ano passado. Entre as principais razões, a gerente apontou os congestionamentos. “Nas grandes cidades, 36% dos brasileiros passam mais de uma hora por dia no trânsito e isso afeta sua saúde mental, física e financeira”, afirmou, destacando que o Rio de Janeiro é a oitava pior cidade do mundo no tempo médio dos deslocamentos (58 minutos) e a segunda maior distância média de deslocamento do Brasil (11,4 km).

Mudanças no padrão de deslocamento

A professora também ressaltou as mudanças no padrão de deslocamento, com base em dados da CNT e da NTU, que mostram os meios de transporte mais utilizados entre 2017 e 2024, com o ônibus perdendo espaço (caiu de 45% para 31%), as caminhadas mantendo o mesmo índice, e os automóveis, serviços de aplicativos, bicicletas e motocicletas ganhando cada vez mais a preferência das pessoas. “Há um mundo que está terminando e outro que está começando. Estamos em transição”, afirmou. Segundo a gerente, a nova mobilidade urbana envolve oito itens fundamentais: prioridade para o transporte público, serviços compartilhados, tecnologia veicular, inovação, micromobilidade, segurança pública e viária, fidelização dos clientes e big data.

Ao defender o transporte coletivo, Horácio falou sobre: o uso democrático do espaço urbano; a capacidade dos corredores de ônibus, que transportam 10 vezes mais pessoas do que os carros de passeio; e a redução das emissões de poluentes e de acidentes de trânsito. “Cada moto polui 19 vezes mais do que um ônibus a diesel e um automóvel emite oito vezes mais CO2 do que o ônibus por passageiro. Por meio do reordenamento e da priorização do transporte coletivo seria possível a queda dos níveis de poluição urbana”, disse. Os dados sobre acidentes também são motivo de alerta, com as motos liderando o número de casos (quase 40%), seguidas pelos carros (20%). “O ônibus transporta um terço dos passageiros e é responsável por apenas 0,32% do total de mortes por acidentes de trânsito no Brasil”, completou.

Congestionamento verde

Em um dos slides de sua apresentação, a palestrante mostrou a foto de um congestionamento em uma via do Rio de Janeiro, onde aparecem vários ônibus que utilizam diferentes tecnologias de baixa emissão, como hidrogênio, biodiesel, biometano, gás natural, HVO e energia elétrica, mas que continuam presos aos congestionamentos. “Não adianta apenas investir nesses veículos e eles ficarem parados no trânsito, causando um congestionamento verde. É preciso oferecer infraestrutura adequada”, disse.

A professora destacou cinco ações necessárias para a mobilidade urbana: participação do transporte público, com tempos de viagem reduzidos, linhas diretas, maior frequência, menor custo, mais conforto e segurança pública; redução da tarifa por meio de subsídio; construção de infraestrutura dedicada ao transporte público, como faixas exclusivas ou seletivas; utilização de tecnologia para melhorar a comunicação com o cliente antes e durante a realização da viagem; e uso de veículos não poluentes.

O professor Márcio D’Agosto, da Coppe/UFRJ, outro palestrante do painel, também defendeu o uso do transporte coletivo visando a descarbonização e ressaltou o maior índice de emissões dos caminhões. Já Fernando Barcellos, diretor da Associação de Ciclistas do Rio de Janeiro (Acerj), destacou o uso da bicicleta para a integração com os demais meios de transporte, levando os passageiros até os terminais e pontos de ônibus, além de estações de metrô e trem. O diretor afirmou que, para isso, é necessário investir em infraestrutura de bicicletário e ciclofaixa. Ele citou o exemplo da Avenida Amaral Peixoto, em Niterói, onde circulou, em 2024, uma média de cinco mil ciclistas por dia, uma das maiores do País.

O workshop contou ainda com os seguintes painéis: “Qualidade do ar e ruído urbano: ferramentas de monitoramento ambiental” e “Meio ambiente: cenário atual e panorama futuro”.